Tropecei (hão-de reparar que isto é uma situação recorrente) na foto abaixo, num dos favoritos que estava esquecido na inúmera lista que arrumei há pouco.
Só esta imagem já me deixou com uma lágrima ao canto do olho.
Por sua vez fui espreitar o site Oplove.org, projecto para o qual foi tirada.
E aí, foi o descalabro. Torrentes de lágrimas escorreram pela minha cara, sem que as conseguisse fazer parar. Parecia, verdadeiramente, uma criança.
Penso que qualquer mulher que seja esposa e mãe não consegue ficar indiferente.
No meu caso, a certa altura as lágrimas eram mais de coisas pessoais do passado, que as imagens me fizeram relembrar, do que do conteúdo comovente das mesmas.
O meu marido foi durante anos motorista de TIR de longo curso, o que o obrigava a passar de 2 a 3 semanas de cada vez fora de casa. Acho que posso dizer que consigo imaginar um bocadinho (6 ou 7 meses de missão dos militares não são 2 ou 3 semanas, eu sei! – daí o bocadinho) pelo que passam as mulheres e os filhos daqueles que têm a sua vida profissional longe de casa, bem como do que é andar sempre com o coração nas mãos, pois agora está tudo bem, e daqui a segundos, já pode não estar.
Tudo isto fez-me lembrar que dei à luz o nosso filho (o JG) sem que a pessoa ao meu lado fosse ele. E que durante dois anos, este cresceu sem a companhia do pai a não ser as 48 horas que passava em casa de 2 em 2 semanas, e a angústia dele quando sentia que o pai ia sair para o trabalho.
E as lágrimas derramadas nestas e em tantas outras ocasiões em que participei na vida do JG – e ele não estava lá, fisicamente, do meu lado.
O dormir tantas noites sozinha, ou pouco dormir, na maioria dos casos, porque nos falta aquela pessoa que nos completa ali deitada ao nosso lado, nem que seja para lhe passar a mão pelo cabelo e ver o seu sorriso enquanto dorme, e sentir o seu cheiro.
Talvez as lágrimas sejam a maneira de exorcizar o que foi sentido e a via para deixar de pensar nisso.
Porque felizmente esses tempso já acabaram e agora todos os dias voltamos uns para os outros depois do trabalho. E não há ordenado nenhum mais alto que pague a alegria estampada na cara do meu filho, por ter o pai todos os dias em casa, e ser o pai a ajudar-lhe a dar o jantar ou a dar-lhe banho. E assim, apesar de um pouco mais pobres monetariamente, somos muito mais ricos, porque somos muito muito mais felizes.
P.S.: O objecto do site é de louvar. Muito. Achei doce, delicado e ajuda quem está longe e quem fica a estar um pouco mais perto e sentir o coração mais quente. Não sei se em Portugal existe igual, mas hei-de procurar e quem sabe abraçar por terras lusas esta ideia. Um dia!

















